Representatividade negra, igualdade e esperança são destaques de bate-papo da Metodista

Encontro debateu a importância da Educação como agente transformador para a população negra

O Núcleo de Arte e Cultura (NAC), em parceria com a coordenação do curso de Pedagogia, promoveu bate-papo on-line sobre "Educação e Resistência”, que contou com quatro pesquisadoras negras e público de aproximadamente 180 pessoas na última quarta-feira (13/05).

Mediado pela coordenadora do NAC, Claudia Cezar, e pela coordenadora do curso de Pedagogia da UMESP,  Maria José de Oliveira Russo, o encontro teve como proposta dialogar sobre a construção da identidade negra e a educação como forma de resistência, por meio das histórias de vida e pesquisas das convidadas, que falaram sobre esperança, coletividade, representatividade e construção de direitos. Participaram do encontro as pesquisadoras Andreia Fernandes, Telma Martins, Juliana Yade e Deise de Brito. 

“Há um imaginário de que no dia em que a princesa Isabel pegou um papel e uma caneta, mais de 4 séculos de escravidão negra chegaram ao fim. Não houve uma política de Estado e essas pessoas, de um dia para o outro, ganharam a liberdade, mas sem direitos básicos. O 13 de maio é um dia para refletirmos sobre a continuidade dessa luta e a resistência”, reforçou Claudia Cezar.

Mulheres, negritude e representatividade 

A professora e pastora Andreia Fernandes é mestre e doutora em Educação pela Universidade Metodista de São Paulo e conduziu uma reflexão sobre “a tecnologia de resistência da senzala", mostrando a importância da consciência crítica na educação e na religião. Professora Telma Martins, que também é mestre pela UMESP e doutora pela Uninove, refletiu sobre a representatividade das pessoas negras em espaços de poder e a importância de lutar por este movimento.

A pesquisadora Juliana Yade destacou o potencial transformador da educação, apontando a vulnerabilidade histórica da população negra e como romper com esta questão para construir um espaço de igualdade. Yade compartilhou um pouco de sua experiência em histórias de famílias negras que se constituíram no período pós-abolição, tema de sua pesquisa de doutorado em Educação pela Universidade Federal do Ceará – UFC, onde também obteve seu título de mestre.

Já professora e artista Deise de Brito trouxe reflexão sobre o lugar da criança negra na escola, da mulher negra na sociedade e os desafios de questionar as certezas na arte e na educação, áreas nas quais se dedica em pesquisa, sendo mestre e doutora em Artes pela USP e Unesp. “As certezas precisam sempre ser provocadas. A universidade é um lugar para perguntas e não para certezas. A pergunta vai barrar a arrogância”, afirmou Deise de Brito.

Metodista refletindo o presente

O bate-papo também contou com a presença do reitor Márcio Oliverio, do professor Marcelo Santos, diretor do Campus Rudge Ramos, e do professor Nilton Abreu Zanco, diretor de Extensão e Ações Comunitárias, além de Edemir Antunes, coordenador da Pastoral Universitária e Escolar, que reforçaram a importância de debater a causa na instituição para formar profissionais que sejam mais éticos e levarem estas reflexões importantes à sociedade.

“Como universidade, temos outros desafios: de fazer dela um espaço mais transformador, onde as pessoas não são só técnicas, mas também éticas. O maior desafio é transformar a universidade em um espaço de resistência, diálogo, e também em um ambiente cultural para atravessar o atual momento da democracia que estamos vivendo no País. ” – afirmou o reitor Márcio Oliverio. 

 

 

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