Metodista integra estudo sobre medos e necessidades dos professores na pandemia

Pesquisa aponta que 45% dos professores nunca conduziram aulas EaD ou de forma híbrida

Qual a linguagem mais adequada para falar com alunos por meio digital? Como manter a motivação e o engajamento levando-se em conta o distanciamento físico e as diferenças sócio-culturais? E o que dizer dos conflitos entre a necessidade de dar aulas e assumir atribuições domésticas e familiares em um mesmo ambiente?

Muitas são as dúvidas dos professores brasileiros apuradas na pesquisa Convivência Ética em Tempos de Covid-19 desenvolvida em parceria pela Universidade Federal do Paraná, Instituto Federal de São Paulo e Universidade Metodista de São Paulo para identificar as necessidades pedagógicas e psicossociais de docentes do Ensino Médio e do Ensino Superior durante a pandemia do novo coronavírus. Um agravante nesse cenário é que 45% dos professores nunca haviam dado aulas a distância ou no formato híbrido.

“Os participantes também relataram seus principais medos neste momento, entre os quais a defasagem na aprendizagem dos estudantes mesmo perante seus esforços, a contaminação pelo vírus e o medo de perder o emprego. Também reforçaram o quanto essa situação tem impactado na sua saúde mental e na dos estudantes”, comenta professor Pedro Afonso Cortez, do Mestrado-Doutorado em Psicologia da Saúde da Umesp. O projeto integra as ações de investigação com foco em impacto social e educacional da pós-graduação em Psicologia da Saúde da Metodista.

A investigação teve participação de 120 docentes de todas as regiões do País, que relataram por meio de questionário on-line as experiências e dificuldades com o ensino à distância nestes tempos de pandemia. A partir das informações obtidas na pesquisa, segundo professor Pedro Cortez, a equipe produzirá materiais formativos para ampla circulação e abertos à comunidade docente, a fim de auxiliá-la a enfrentar as dificuldades no período de desaceleração e controle da pandemia decorrente da Covid-19.

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Principais necessidades formativas indicadas por professores

Diálogo - Como dialogar no meio digital com estudantes por meio de uma linguagem alternativa, moderna, clara, assertiva, ética e construtiva.

Interação – Como manter a interação com estudantes considerando a distância imposta pelo isolamento, os recursos disponíveis e as condições socioeconômicas e familiares, tanto de professores quanto de alunos.

Tecnologia – Como usar recursos tecnológicos para as aulas a distância e torná-los adequados ao contexto de ensino-aprendizagem em período de pandemia.

Motivação - Como manter o engajamento e a motivação dos estudantes nas atividades, dadas as limitações de interação no ensino não-presencial e a necessidade de manter a motivação estudantil para o ensino remoto.

Tempo e rotinas – Como conciliar as demandas de trabalho com a vida pessoal, necessitando dar aulas e enfrentar os conflitos entre as atividades profissionais docentes e as atribuições domésticas e familiares.

Cuidado de si e do outro – Como cuidar da própria condição emocional, incluindo o cuidado de si e do outro, tendo como ênfase o acolhimento, o reconhecimento de sentimentos e emoções dos demais, especialmente dos estudantes que enfrentam dificuldades de aprendizagem.

O projeto é composto por uma equipe de pesquisadores e de 13 estudantes de graduação, além da parceria do Observatório da Convivência do Instituto Federal do Paraná. Tem apoio financeiro da UFPR via Edital PROIND 2020 - UFPR no Combate ao Covid-19. É também uma das ações do Observatório do Clima Institucional e Prevenção da Violência em Contextos Educacionais, da UFPR, conduzido pelas professoras Loriane Trombini Frick e  Ana Carina Stelko Pereira, do setor da Educação da UFPR. Pelo IFSP participa a professora Juliana A. M. Zechi.

O estudo já motivou reportagem na mídia na série Lição de Casa, exibida pela filiada da Globo RPC-TV em 13 de agosto de 2020.

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